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Saúde da Mulher · · 5 min de leitura

SOP agora é SOMP: o que muda com o novo nome da síndrome dos ovários policísticos

Ilustração abstrata de três círculos translúcidos que se sobrepõem, representando as dimensões hormonal, metabólica e ovariana da SOMP.

A síndrome dos ovários policísticos passou a se chamar SOMP. Entenda por que o nome mudou, o que ele descreve e o que segue igual no diagnóstico.

Em maio de 2026, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) ganhou um nome novo: síndrome ovariana metabólica poliendócrina, a SOMP, em inglês, polyendocrine metabolic ovarian syndrome (PMOS). A mudança foi publicada na revista The Lancet, ao fim de um consenso internacional que reuniu 56 organizações acadêmicas, médicas e de pacientes e mais de 14 mil respostas de mulheres com a condição e de profissionais de saúde.

Para quem já tem o diagnóstico, a pergunta natural é o que isso muda na prática. A resposta curta: muda a forma de enxergar a condição, não o diagnóstico nem o tratamento que já estão em curso. Este texto explica por que o nome antigo deixou de servir, o que o nome novo descreve e o que continua igual.

Por que o nome antigo deixou de servir

O nome "ovários policísticos" sugere que a doença está em cistos no ovário. Não está. As pequenas imagens arredondadas que o ultrassom mostra nos ovários não são cistos patológicos: são folículos, as estruturas que abrigam os óvulos, que pararam de se desenvolver antes da ovulação.

Há ainda dois problemas práticos. Parte das mulheres com a síndrome não tem esse aspecto no ultrassom, e um ovário com muitos folículos, sozinho, não fecha o diagnóstico. E, ao apontar só para o ovário, o nome antigo deixava em segundo plano as alterações hormonais e metabólicas que acompanham a condição, o que, segundo os autores do consenso, contribuía para o atraso no diagnóstico e para um cuidado fragmentado.

O que o nome novo descreve

Cada palavra do nome novo foi escolhida para dizer o que a condição é:

  • Poliendócrina: envolve vários hormônios ao mesmo tempo, como os androgênios (os hormônios masculinos, que a mulher também produz) e a insulina;
  • Metabólica: está ligada à resistência à insulina e a um risco maior de diabetes tipo 2 e de doença cardiovascular ao longo da vida;
  • Ovariana: mantém o vínculo com o ovário, porque a alteração da ovulação continua sendo uma marca central, com efeito sobre o ciclo menstrual e a fertilidade.

A transição será gradual: o consenso prevê cerca de três anos de convivência entre os dois nomes, até o novo entrar na atualização da diretriz internacional prevista para 2028. Por um tempo, é normal encontrar SOP em laudos, receitas e materiais mais antigos, e SOMP nos mais recentes. Os dois se referem à mesma condição.

O que continua igual

A mudança é de nome. Os critérios usados no diagnóstico e as opções de tratamento seguem os mesmos. Quem já tem o diagnóstico de SOP não precisa refazer exames nem mudar o tratamento por causa da troca de nome.

Pela diretriz internacional de 2023, o diagnóstico em mulheres adultas é feito quando há pelo menos dois destes três achados, depois de afastadas outras condições que causam sinais parecidos:

  • Ciclos menstruais irregulares ou ausência de ovulação;
  • Sinais de excesso de androgênios: no corpo, como aumento de pelos, acne e queda de cabelo, ou nos exames de sangue;
  • Ovários com muitos folículos ao ultrassom ou, em adultas, dosagem elevada do hormônio antimülleriano (AMH).

Em adolescentes, a regra é outra. Como ciclos irregulares e ovários com muitos folículos são comuns nos primeiros anos depois da primeira menstruação, o diagnóstico exige a combinação de alteração dos ciclos e excesso de androgênios, sem ultrassom nem AMH.

Sinais que pedem avaliação

  • Menstruação muito espaçada, irregular ou ausente;
  • Aumento de pelos no rosto, no abdômen ou no peito, acne persistente ou queda de cabelo;
  • Ganho de peso difícil de controlar, ou manchas escurecidas na pele de áreas como pescoço e axilas;
  • Dificuldade para engravidar.

Nenhum desses sinais, sozinho, define o diagnóstico, e todos podem ter outras causas. Por isso a investigação reúne a conversa clínica, o exame físico, os exames de sangue e, em adultas, o ultrassom.

Por que olhar além do ovário

O ganho mais concreto do nome novo é lembrar que o cuidado não termina no ciclo menstrual. A diretriz internacional recomenda acompanhar a glicose, o risco cardiovascular, o sono e a saúde emocional: mulheres com a condição têm mais risco de resistência à insulina, de diabetes tipo 2, de ansiedade e de depressão. Ciclos muito espaçados por longos períodos também pedem atenção ao endométrio, a camada interna do útero.

O tratamento é individual e depende do objetivo de cada fase da vida: regular os ciclos, tratar os sinais de excesso de androgênios, cuidar da saúde metabólica ou engravidar. Mudanças no estilo de vida fazem parte do cuidado de todas; os medicamentos entram conforme a indicação de cada caso.

SOMP e fertilidade

Como a ovulação pode não acontecer todos os meses, a SOMP é uma causa frequente de dificuldade para engravidar. Para a mulher que deseja engravidar e não ovula com regularidade, a diretriz internacional indica o letrozol como primeira opção de indução da ovulação, quando não há outro fator de infertilidade no casal.

Quando a indução não basta, ou quando há outros fatores envolvidos, o planejamento pode incluir técnicas de reprodução assistida, sempre a partir da avaliação do casal, não do diagnóstico isolado. Com folículos numerosos, a resposta dos ovários à estimulação pede monitoramento cuidadoso por ultrassom e doses ajustadas a cada caso.

Quando procurar avaliação

Se você tem ciclos irregulares, sinais de excesso de androgênios ou dificuldade para engravidar, procure avaliação ginecológica. E, se você já tem o diagnóstico de SOP, ele continua válido: o nome novo é um bom motivo para conversar com seu médico sobre o acompanhamento metabólico e emocional, além do ciclo e da fertilidade.

Revisão técnica

Conteúdo revisado por Dr. Carlos Portocarrero, CRM-DF 9567 · RQE 12695. Ginecologia, Obstetrícia e Medicina Reprodutiva, em Brasília-DF.

Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou o tratamento individualizado. Em caso de sintomas, procure avaliação especializada.

Procure avaliação especializada.