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Saúde da Mulher · · 4 min de leitura

Miomas uterinos: quando é hora de tratar e quais são as opções em Brasília

Ilustração abstrata de formas concêntricas em progressão, representando as diferentes escalas e condutas no tratamento de miomas uterinos.

Nem todo mioma precisa de cirurgia. Entenda quando tratar, quais sintomas exigem avaliação e as opções disponíveis, da medicação à radiofrequência.

Descobrir um mioma em um exame de rotina costuma gerar mais susto do que a situação exige. Miomas são tumores benignos formados pela musculatura do útero, frequentes na vida reprodutiva, e boa parte deles não provoca sintoma nenhum — são achados de ultrassom, e permanecem apenas acompanhados.

A pergunta útil, portanto, não é “tenho mioma?”, e sim “este mioma, neste momento da minha vida, está causando algum problema?”. É essa resposta que define se há tratamento a fazer e qual.

O que é um mioma e por que nem todo precisa ser tratado

O mioma — também chamado de leiomioma ou fibroma — cresce a partir da parede muscular do útero. Ele pode ser único ou múltiplo, e o que mais importa clinicamente não é apenas o tamanho: é a localização.

Miomas que crescem para dentro da cavidade uterina, os submucosos, tendem a causar sangramento e a interferir na implantação do embrião mesmo quando são pequenos. Os intramurais ficam na espessura da parede e repercutem conforme o volume e a posição. Os subserosos crescem para fora e, muitas vezes, só chamam atenção quando comprimem estruturas vizinhas.

Um mioma assintomático, que não distorce a cavidade uterina e não compromete o planejamento reprodutivo, geralmente pede apenas acompanhamento periódico. Tratar por tratar não é conduta.

Sintomas que pedem avaliação

  • Sangramento menstrual aumentado, prolongado ou com coágulos;
  • Anemia sem outra causa aparente, com cansaço e falta de ar aos esforços;
  • Cólica intensa ou dor pélvica persistente;
  • Sensação de peso, aumento do volume abdominal ou massa palpável;
  • Vontade frequente de urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga ou alterações intestinais por compressão;
  • Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais de repetição, conforme a localização do mioma.

Como se investiga

A avaliação começa pela história clínica e pelo exame ginecológico. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial na maioria dos casos: ela mostra número, tamanho, localização e relação dos miomas com a cavidade uterina — o mapa que orienta qualquer decisão seguinte.

Quando há suspeita de mioma submucoso ou é preciso avaliar a cavidade por dentro, a histeroscopia permite visualizar diretamente o interior do útero e, em situações selecionadas, tratar no mesmo tempo. Em casos mais complexos, a ressonância magnética pode complementar o planejamento.

O leque de condutas

As opções formam uma escala, da observação à cirurgia. Elas não competem entre si: cada uma responde a um cenário clínico diferente.

Conduta expectante. Para miomas assintomáticos, sem repercussão sobre a cavidade uterina ou sobre o planejamento reprodutivo, o acompanhamento periódico com exame de imagem costuma ser suficiente.

Tratamento medicamentoso. Voltado principalmente ao controle do sangramento e dos sintomas, e à correção da anemia. Pode ser a conduta definitiva em parte dos casos ou uma etapa de preparo antes de um procedimento.

Ablação por radiofrequência. Procedimento minimamente invasivo que trata o mioma por meio de energia térmica aplicada sob visualização por ultrassonografia, preservando o útero. É indicado em cenários específicos, definidos pelo número, pelo tamanho e pela localização das lesões.

Tratamento cirúrgico. A miomectomia remove os miomas e preserva o útero — pode ser feita por histeroscopia, por laparoscopia ou por via robótica, conforme a localização. A histerectomia é reservada a situações selecionadas, quando não há desejo reprodutivo e as demais condutas não respondem ao quadro.

O que define a escolha

A conduta é individualizada e leva em conta, em conjunto:

  • Os sintomas e o quanto eles afetam a rotina;
  • Número, tamanho e, sobretudo, a localização dos miomas;
  • O desejo de engravidar, agora ou no futuro;
  • A idade e a proximidade da menopausa;
  • A presença de anemia e de outras condições clínicas;
  • A resposta a tratamentos já realizados.

Quando procurar avaliação

Sangramento que foge do seu padrão habitual, cólica que piora com o tempo ou cansaço persistente merecem investigação — com ou sem mioma diagnosticado. Um exame de imagem esclarece o quadro e evita tanto o tratamento desnecessário quanto a espera que não ajuda.

Converse com seu ginecologista sobre os seus sintomas e sobre o seu planejamento reprodutivo. É essa conversa que organiza a decisão.

Revisão técnica

Conteúdo revisado por Dr. Carlos Portocarrero — CRM-DF 9567 · RQE 12695. Ginecologia, Obstetrícia e Medicina Reprodutiva, em Brasília-DF.

Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou o tratamento individualizado. Em caso de sintomas, procure avaliação especializada.

Procure avaliação especializada.